sexta-feira, 01 de março de 2019
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Júnior

De mãos dadas com a ciência

Pesquisadores da UFRJ desenvolvem projeto em parceria com o Nova Iguaçu FC

Reconhecido pelo trabalho de excelência que é feito nas categorias de base, o Nova Iguaçu Futebol Clube segue abrindo suas portas para a comunidade científica. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) escolheram a equipe sub-20 do Orgulho da Baixada para ajudar a desenvolver em parceria um projeto muito interessante relacionado à suplementação proteica para os atletas.

O projeto, tocado por pesquisadores do Laboratório de Desenvolvimento de Alimentos para Fins Especiais e Educacionais (DAFEE) do Instituto de Nutrição Josué de Castro da UFRJ, sob coordenação da professora Anna Paola Pierucci, visa testar diferentes suplementos proteicos para melhorar a recuperação muscular dos desportistas. Eles já realizaram esse estudo em outras modalidades, mas no futebol foi a primeira vez.

Todo o planejamento da pré-temporada do sub-20 do Nova Iguaçu, que irá disputar o Campeonato Carioca da categoria a partir do dia 16 de março, foi feito em conjunto com os pesquisadores. Em vários momentos, os atletas tiveram sangue coletado e passaram por uma bateria de exercícios para medir o nível de cansaço com diferentes tipos de suplementação. E o feedback foi bastante proveitoso.

- O abraço que tivemos da comissão técnica foi incrível. E é difícil, porque nem sempre a ciência fala com a prática, às vezes não há esse entendimento. Eles abriram as portas de uma forma surpreendente, foi maravilhoso para a continuidade do estudo. Planejaram os treinos conosco, aceitaram todas as intervenções que precisamos. Foi um case de sucesso – afirma Luiz Lannes, coordenador da pesquisa.

Desde quando os jogadores se apresentaram, no meio do mês de fevereiro, os pesquisadores coletaram diversas informações. Agora, os dados serão analisados tanto na bioquímica, com os marcadores de enzimas, como num minucioso processo de perfil metabolômico por Ressonância Magnética Nuclear, com um enorme equipamento chamado Espectrômetro (veja abaixo).

Espectrômetro de Ressonância Magnética Nuclear, um dos equipamentos usados na UFRJ (FOTO: Divulgação)

Em troca, o Nova Iguaçu Futebol Clube recebe uma série de relatórios sobre as características físicas de cada jogador, como níveis de marcadores de lesão, quem tem recuperação mais rápida ou mais dificuldade para se recuperar fisicamente após um jogo, por exemplo. Tudo será repassado para a comissão técnica e para o fisiologista do clube, Uelbio Bezerra.

- Esses dados vão ajudar muito o clube em relação às especificidades de cada atleta. Com eles, é possível prescrever um treinamento de forma mais adequada para cada jogador, por exemplo. Tem sido uma experiência muito legal para nós e ainda podemos auxiliar os jogadores na questão da alimentação e da suplementação, ajudando no desenvolvimento deles. Isso é muito gratificante – completou Lannes.

- Esse projeto é muito importante no sentido do controle de biomarcadores. É de suma importância para que possamos avaliar os parâmetros atuais de controle de carga e também saber a noção exata da composição corporal dos atletas. Estamos pegando todas as avaliações e validando o nosso processo de formação. O que a UFRJ está nos possibilitando é um processo semelhante ao que é feito no Paris Saint-Germain e em grandes potências europeias – afirmou Uelbio.

O Nova Iguaçu estreia no Campeonato Carioca Sub-20 no dia 16 de março, em casa, contra o Macaé. A competição esse ano será mais longa, terminando apenas em outubro. O Orgulho da Baixada integra o Grupo B, ao lado de Vasco, Fluminense, Portuguesa, Bangu, Volta Redonda, Americano e Macaé. No Grupo A estão Botafogo, Flamengo, Boavista, Cabofriense, Madureira, Goytacaz, Resende e America.

Bernardo Gleizer