quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
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Futebol Profissional

Herói que veio do banco

Goleiro Caio Borges entra na fogueira e brilha em vitória no Laranjão

Futebol rende sempre boas histórias. E o Nova Iguaçu passou por uma dessas que vão ficar gravadas na memória. No último domingo, na dramática vitória do Orgulho da Baixada sobre o America por 1 a 0, no Laranjão, um jogador em especial acabou ficando com status de herói. E isso depois de entrar numa grande fogueira, saindo do banco de reservas: o goleiro Caio Borges.

O camisa 12 teve a missão de substituir o ídolo Jefferson aos 18 minutos do segundo tempo. Titular do gol laranja há vários anos, Jefferson se sentiu mal logo após fazer uma grande defesa, e depois acabou tendo um quadro de insolação, com câimbras por todo o corpo e exaustão. Àquela altura, o Nova Iguaçu vencia por 1 a 0 e sofria pressão do America.

Titular contra o mesmo America na última rodada da fase preliminar, quando o Nova Iguaçu já não tinha mais chances de classificação, Caio Borges foi novamente acionado e entrou num momento do jogo crucial. Com o forte calor – a sensação térmica chegou aos 42ºC -, o Nova Iguaçu foi sendo pressionado. Mas Caio foi decisivo, com pelo menos três dificílimas defesas, garantindo a primeira vitória no Grupo X.

- Fico muito feliz pela confiança dos jogadores e da comissão técnica. Entrei numa situação muito chata, com a contusão do Jefferson, uma referência para a gente. Fiquei bastante triste pela situação, mas feliz pela oportunidade. Trabalhamos a semana toda para isso, independente se a bola não fosse no gol estaria preparado. Fico feliz pela minha atuação, mas mais feliz ainda pela vitória, para nos dar confiança – ressaltou.

Caio Borges, Bruno e Jefferson: companheirismo no gol do Nova Iguaçu (FOTO: Bernardo Gleizer/NIFC)

Durante a semana, Caio Borges trabalha duro com os goleiros Jefferson e Bruno e com o preparador de goleiros Willian Bacana. Eles são os primeiros a começar os treinamentos, debaixo de sol, dando seus saltos, quedas… A rotina é desgastante. Com Jefferson, então, a amizade é ainda maior, já que os dois moram próximos e vão e voltam dos treinamentos juntos. Por isso, o respeito entre eles é ainda maior.

- É uma grande responsabilidade substituir o Jefferson. Temos que estar preparados. Ele vinha fazendo um grande jogo, tinha feito uma grande defesa de mão trocada quando se lesionou. Com um pouco de experiência que tenho, isso me ajudou a entrar nesse jogo mais concentrado, focado, porque sabíamos que o America viria com tudo para cima e precisávamos suportar essa pressão deles – disse.

Com a família presente ao Laranjão, Caio Borges foi o último a deixar o gramado após o apito final, após atender os repórteres. Emocionado, deixou o choro correr e foi cumprimentado por todos, dos dirigentes aos jogadores. Sabia que aquele dia tinha se tornado especial em sua carreira:

- Foi um momento único. Ali na hora a gente pensa em tudo, o que passa no dia-a-dia, no sacrifício, porque temos de abdicar de muita coisa. Quando acabei o jogo, fiquei pensando, o time estava passando por um momento muito delicado. Juntou tudo, a equipe não vinha vencendo… A vitória da equipe, minha família se apoiando, a galera me deu confiança… Foi um desabafo mesmo, de soltar aquela tensão toda do jogo.

Com três pontos e na segunda colocação do Grupo X, fora da zona de rebaixamento do Campeonato Carioca, o Nova Iguaçu volta a campo no próximo sábado para encarar o Macaé, às 16h, ainda em local a ser definido.

Bernardo Gleizer