quarta-feira, 09 de maio de 2018
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Futebol Profissional

Trabalho de formação

Fruto de investimento desde os 12 anos, Gustavo estreia pelos profissionais

Gustavo entrou no final do jogo contra o Caxias, em Caxias do Sul (FOTO: Bernardo Gleizer/NIFC)

Mais do que conquistar resultados, o Nova Iguaçu Futebol Clube tem como principal objetivo a formação de atletas e cidadãos. Na partida contra o Caxias, no último domingo, em Caxias do Sul (RS), pelo Campeonato Brasileiro da Série D, mais uma história pode ser contada. Com apenas 18 anos e recém-integrado ao profissional, Gustavo fez sua estreia pelo time principal.

E ele nem estava relacionado para o jogo. Com a delegação já se dirigindo para o sul do país, ele foi chamado para se juntar ao grupo, já que um dos atletas não pode viajar por conta de um problema pessoal em cima da hora. Como não havia mais vôos para Caxias do Sul, Gustavo teve de tomar um avião com destino a Porto Alegre, e de lá mais duas horas de ônibus até a cidade do jogo. Tudo isso com um detalhe: ele nunca havia pisado num avião.

- Quando soube que iria viajar, foi uma felicidade muito grande. Estava no clube treinando com os atletas que não viajaram, e aí me ligaram e fui para o aeroporto. Nunca tinha andado de avião, mas foi tranquilo. Meu pai me deixou no aeroporto e de lá fui perguntando, fui me informando e cheguei bem – afirmou Gustavo, que entrou na derrota por 4 a 1 já aos 37 minutos do segundo tempo.

Gustavo em ação pelo pré-mirim do Nova Iguaçu, com apenas 12 anos (FOTO: Jorge Moraes Jr./NIFC/Arquivo)

- Fiquei um pouco nervoso na hora. Entrei no final do jogo, acabei errando alguns passes que não estou acostumado a errar, mas foi uma experiência muito boa. Não imaginava que estrearia assim tão rapidamente. Pensei que iria ficar apenas treinando, ganhando experiência. Agora é continuar trabalhando para ter mais oportunidades – completou o garoto, que está no Nova Iguaçu desde os 12 anos de idade.

Nestes cerca de seis anos de Nova Iguaçu, Gustavo passou por um processo de estímulo de crescimento. Acostumado a vestir a camisa 10 na base, ele sempre chamou a atenção pela qualidade com a bola nas pés, mas sempre demonstrou também um físico franzino. Para ganhar massa e estatura, passou por um longo trabalho que contou com apoio dos setores de fisiologia, nutrição e psicologia do clube.

- O Gustavo é um atleta com potencial técnico muito grande e que tinha uma maturação tardia aos 12 anos, como falamos no meio acadêmico. Interviemos de uma forma natural para que ele aumentasse sua capacidade física sem que perdesse as características técnicas. Então buscamos alguns suplementos de ordem natural para que ele melhorasse a síntese do GH (hormônio do crescimento) – explica Uélbio Bezerra, fisiologista do Nova Iguaçu.

Gustavo fez sua primeira viagem de avião - e às pressas (FOTO: Arquivo pessoal)

Uélbio conta que Gustavo tinha apenas 1,46m quando chegou ao clube, aos 12 anos, e pela condição natural ele chegaria no máximo a 1,60m. Hoje, aos 18 anos, ele já está com 1,76m e pode chegar até a 1,80m. Além da criação do grupo multidisciplinar, que contou também com auxílio de um endocrinologista, o apoio dos pais também foi fundamental nesse processo.

- Depois que interviemos na parte clínica, buscamos um tratamento diário de reposição hormonal, dentro da dosagem correta, até os 18 anos. Daí em diante o corpo dele produziu naturalmente o GH e ele ainda está em fase de desenvolvimento de estatura. Tivemos que ter muito cuidado, porque essa parte clínica, de controle hormonal tem que ser muito criteriosa, para não prejudicar o futuro do jogador também – detalhou.

Com Gustavo e outros frutos da terra no elenco, o Nova Iguaçu volta a campo na Série D do Brasileiro no próximo sábado para encarar o Caxias (RS) novamente, às 15h, desta vez no Estádio Laranjão.

Bernardo Gleizer