quarta-feira, 01 de abril de 2015
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Futebol Profissional

História representada

No aniversário do Nova Iguaçu, conheça Nem, há 21 anos no clube

O Nova Iguaçu completa nesta quarta-feira, dia 1º de abril, 25 anos de vida. Nesse período, poucas pessoas podem contar com tanta propriedade as conquistas e desafios que a Laranja da Baixada teve como João Carlos dos Santos Conceição – ou simplesmente Nem, apelido que carrega desde a infância. Ele é roupeiro do Nova Iguaçu há 20 anos, e está no clube desde 1994.

A história de Nem no Nova Iguaçu começa antes mesmo do clube ser fundado, em 1º de abril de 1990. Na infância, ele conta que costumava brincar e soltar pipa no terreno onde hoje está localizado o Centro de Treinamento do NIFC. Morador de Santa Eugênia, bairro vizinho ao clube, ele pulava o Rio Botas para brincar com os amigos. Jamais imaginaria que naquele lugar passaria grande parte da sua vida.

Hoje morador de Paracambi, município localizado a 40km de Nova Iguaçu, Nem pega todos os dias trem e ônibus para poder chegar ao clube. Gasta cerca de duas horas na condução. Mas nada tira o sorriso do rosto. Ele começou a trabalhar cuidando dos gramados do Centro de Treinamento. Conta com orgulho de ter ajudado a fazer o Campo 3, utilizado hoje para as categorias de base mais jovens.

- Quando trabalhava nos campos, o Lalado (Geraldo, antigo roupeiro) era quem cuidava de todos os uniformes. Num dia, ele ficou chateado porque pensou que tivessem roubado uma chuteira da rouparia, mas ela tinha sido deixada num dos campos. Eu encontrei-a e aí fizemos amizade. Aí ele me chamou para ajudá-lo lá – conta Nem, que a partir daí passou a trabalhar como roupeiro.

Nem com o clube ao fundo: 21 anos de serviços prestados ao Nova Iguaçu Futebol Clube (FOTO: Bernardo Gleizer/NIFC)

- Lembro bem que estava na hora do almoço, soltando pipa, quando o Jânio (Moraes, presidente) me chamou para trabalhar na rouparia. Entrei na sala dele todo suado, com uma lata de linha na mão (risos). Seu Geraldo saiu em 1999, ficou doente, e me passou essa missão de cuidar dos uniformes. Fico até emocionado quando lembro dele. Ele me ajudou muito – recorda.

Pelos 21 anos de serviços prestados ao Nova Iguaçu, Nem vai ganhar em breve um novo local para poder cuidar dos uniformes e de todo material de treino. A nova rouparia e lavanderia já está pronta, e vai ganhar nos próximos dias novas máquinas de lavar para poder ser inaugurada. Ela vai ficar localizada em cima de onde funcionava a antiga rouparia.

- Quando tudo começou tínhamos que lavar as roupas na mão. Agora vamos ter esse espaço novo, ficou muito grande e bonito. Hoje, vendo isso tudo que o Nova Iguaçu tem, as pessoas não têm noção de como o clube cresceu e continua crescendo. Antes só tinha dois vestiários e a rouparia. Agora tem isso tudo – afirmou.

Sorridente, Nem conhece a nova rouparia que será inaugurada em breve (FOTO: Bernardo Gleizer/NIFC)

Com 1,88m de altura, quem vê Nem pela primeira vez não tem noção de como ele é querido no clube. Atletas de todas as idades, desde os mais novos, fazem questão de cumprimentá-lo toda vez que chegam ao clube para treinar. Sempre com um sorriso no rosto, Nem relembrou várias dificuldades que enfrentou em todo esse período, e sonha com novas conquistas na Laranja da Baixada.

- Não posso dizer que o Nova Iguaçu é tudo na minha vida, porque ainda tem muita coisa para acontecer. Tenho o sonho de ver o estádio pronto, com os clubes grandes jogando aqui na nossa casa. Ficamos sempre na torcida, porque sabemos das dificuldades que existem para chegarmos lá – diz Nem, que antes do Nova Iguaçu trabalhou como segurança, auxiliar de pedreiro e estofador.

Com tanto tempo de casa, as histórias são muitas. Mas a conquista do título da Série B do Campeonato Carioca em 2005 ainda está guardada na memória. Numa tarde de julho, 16 mil pessoas foram ao Estádio Giulitte Coutinho, em Édson Passos, acompanhar o empate em 0 a 0 com o Angra dos Reis que rendeu o inédito acesso à Primeira Divisão do Estadual.

- Aquele dia foi muito legal, uma doideira. O estádio estava lotado. O Angra dos Reis colocou uma bola na trave no finalzinho. Quando acabou o jogo, muita gente começou a invadir o campo, foi uma loucura. Tive que sair correndo para trancar os vestiários, era spray de pimenta da polícia para lá, pessoas pulando, correndo. Foi muita emoção – relembrou.

É com a simplicidade e o sorriso de Nem e de tantos outros que o Nova Iguaçu continua trabalhando para fazer jus à alcunha de Orgulho da Baixada. Que venham mais 25 anos, e mais 25 anos, e mais 25 anos…

Bernardo Gleizer